Pés na terra e cabeça na tecnologia

Dinheiro Rural
Jeffrey Abrahams*

Abril 2014 – O mercado de trabalho é extremamente dinâmico e suas mudanças parecem lentas. Mas, se for traçado um panorama das duas últimas décadas, é possível perceber o quanto esse mercado mudou. As expectativas das empresas não são mais as mesmas, assim como o comportamento e a formação dos executivos. No agronegócio, essa realidade também se aplica. Segundo dados divulgados em dezembro pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do setor deve fechar 2013 com alta de 3,56% na comparação com 2012, totalizando R$ 1 trilhão. O mercado não apenas cresceu, e continua crescendo, como também se transformou nos últimos anos. Um fator decisivo para tal evolução foi a adoção de tecnologias cada vez mais avançadas não só no campo, mas também nas empresas que atuam do lado de fora da porteira.

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Mão de obra especializada: a tecnologia da informação será, cada vez mais, uma ferramenta necessária na vida dos profissionais do campo


Hoje, o mercado agro procura executivos com multiconhecimentos. A graduação acadêmica ainda é muito importante, mas o conhecimento restrito em agro pode trazer algumas dificuldades para a evolução da carreira de um executivo no setor. Mais do que uma visão ampla do agronegócio, as grandes empresas buscam profissionais com conhecimentos diferenciados para exercer funções estratégicas dentro de suas respectivas áreas. Evidentemente há carreiras que fogem dessa regra, como é o caso da engenharia genética, por exemplo, mas elas são exceções. Os profissionais dessa área ainda são escassos no País e, por isso, quanto mais experiência e conhecimento focado nessa especialidade, maior seu valor no mercado.

É preciso entender que o agronegócio cresceu, profissionalizou-se e evoluiu muito tecnologicamente. Para atender a uma nova demanda consequente desses fatores, as empresas vêm criando novos cargos e, agora, buscam executivos não só com sólida formação técnica em profissões tradicionais, mas talentos que possam agregar diferentes conhecimentos e habilidades e usá-los para o agronegócio. Um exemplo é o cargo de Gestão de Farming, tanto na área de grãos quanto na de etanol, que requer executivos capazes de buscar e adquirir novas terras com menores preços, para prepará-las física e legalmente para uma futura venda ou uso para a agricultura de precisão. Para a carreira de gestor de risco agrícola, a exigência é de um profissional capacitado tecnicamente para o mapeamento de áreas para resseguro e que tenha conhecimentos em under writer agrícola e legislação do mercado de seguros.

Com salários muito atrativos, a dificuldade das empresas em recrutar executivos pode não vir da falta de interesse deles, mas de encontrar um profissional que tenha todas as competências exigidas por esses novos cargos. O Brasil só agora começa a acordar e dar mais ênfase a cursos administrativos e financeiros. Engenheiros agronômicos, zootecnistas, veterinários e outros profissionais com graduação ligada ao agronegócio devem buscar especialização diferencial, seja na área financeira, de gestão de pessoas ou supply chain. Para esses profissionais, apenas o domínio da língua inglesa não é mais o suficiente. Tão importante quanto a qualificação é a grande capacidade de adaptação, aprendizado rápido e visão global das questões. O mercado de trabalho exige cada vez mais dos profissionais e ainda não se descobriu uma mágica que agregue os conhecimentos que faltam para cada um. É preciso colocar os pés na terra, a mão na massa e a cabeça na tecnologia, buscando novas especializações para se destacar entre os concorrentes.

jeffrey abrahamsJeffrey Abrahams é sócio-gerente da Fesap Holding, detentora das empresas Fesa, Asap e Fesa Advisory

 
 



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