O fazer igual não funcionará

O Globo – Click! – Entrevista -Jeffrey Abrahams
Léa Cristina e Rodrigo March

23 de novembro de 2008 – Em períodos de crise, compra-se menos. Sendo assim, o apelo para a venda de produtos e serviços deve ser maior. Nesse cenário, acredita o consultor paulista Jeffrey Abrahams, profissionais criativos passam a ser ainda mais valorizados. Abrahams acredita que, com dedicação, todas as pessoas são capazes de produzir idéias inovadoras.

O GLOBO: Qual a importância da criatividade para os executivos em geral?

JEFFREY ABRAHAMS: Em qualquer crise, a criatividade é fundamental para a sobrevivência de profissionais de todas as áreas. É  ela quem separa o joio do trigo. Mas não adianta ser criativo e não por as idéias em prática, apresentando resultados.

O GLOBO: Por que profissionais com essa característica ficam mais valorizados?

ABRAHAMS: O fazer igual não funcionará mais. O profissional precisará encontrar novas soluções e formas de atuar. O mercado comprará menos. Quem trabalha com vendas, marketing e financiamento precisará ler inovações para oferecer.

O GLOBO: As empresas se preocupam em achar pessoas criativas ou isso depende da natureza de cada uma?

ABRAHAMS: Pessoas criativas conseguem ver o mundo e os seus problemas de outra forma, estão dispostas a quebrar velhos paradigmas. As empresas buscam sempre o melhor profissional, mas cada trabalhador deve fazer de tudo para se adaptar à sua realidade.

O GLOBO: Os profissionais podem desenvolver a criatividade?

ABRAHAMS: Existem os que têm a criatividade em suas competências naturais. Vejo isso muitas vezes em indivíduos sem multa educação formal mas que conseguem ter tremendas soluções. Porém, a leitura constante e os estudos também ajudam a aguçar a criatividade. Com esforço e dedicação, é possível fazer a diferença.

O GLOBO: Brasileiro é mais criativo?

ABRAHAMS: Na minha opinião, sim, por ter uma educação mais livre e menos rígida que em outros países.

O GLOBO: Profissionais criativos ainda encontram barreiras para apresentar suas idéias?

ABRAHAMS: As empresas reclamam que falta criatividade. Mas quando alguém apresenta uma ideia, a direção fica com medo de colocá-la em prática. O profissional terá de encontrar um jeito para não assustar as estruturas existentes: “mudar o mundo” pode simbolizar perdas. Inclusive emocionais.