Ainda Faltam Executivos no Agronegócio

REVISTA AGRO
Jeffrey Abrahams

A busca de um executivo para o mercado do agronegócio continua um desafio complexo. É um segmento que possui uma gama de nuances e diferenciais. Quem participa desse dia-a-dia sabe muito bem que o executivo agro é alguém com o pé na terra e o cérebro nas finanças, no mercado de commodities e na tecnologia.

Além disso, precisa ter grande traquejo para lidar com todos os níveis da organização, da diretoria aos trabalhadores do campo. É como ter que juntar leite e azeite em um único copo e tirar daí uma bebida homogênea. Sua personalidade e seus comportamentos são vistos na hora, pois acaba convivendo em comunidades menores. São mundos diferentes, vocabulários diferentes, serviços diferentes. Isso sem falar na postura em reuniões de clientes nacionais e internacionais, nas quais é preciso se portar ainda de uma forma específica, dependendo do país em questão.

Os últimos anos trouxeram a globalização e a expansão do agronegócio, o que desencadeou uma maior complexidade no mercado. Tenho certeza que tal crescimento deve continuar ainda por muitos anos, pois o agronegócio é a locomotiva de produção do alimento mundial. Com o crescimento populacional, o segmento agro pega carona e embarcará em um desenvolvimento contínuo com o aumento da demanda. Sempre agregando novas tecnologias em busca da produtividade, onde o Brasil é campeão.

Jeffrey Abrahams - Engenheiro Agrônomo e Sócio-Gerente da FESA, Consultoria de Busca e Seleção de Altos Executivos

Jeffrey Abrahams – Engenheiro Agrônomo e Sócio-Gerente da FESA, Consultoria de Busca e Seleção de Altos Executivos

Já vemos um cenário muito positivo no segmento. De acordo com o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), calculado mensalmente pelo Banco Central (BC), em dezembro houve alta de 2,49%, na comparação com o mês anterior. No ano, a alta ficou em 3,12%. Esse é um fator que impacta positivamente a demanda do mercado por mais profissionais da área. No momento, o plano de vôo poderá parecer turbulento. Porém, no médio e longo prazo as perspectivas são boas.

Aliado a isso, o setor tem atraído a atenção de novos investidores em diversas áreas, principalmente com a entrada dos fundos de private equity e das multinacionais que aterrissam de forma crescente em território nacional.

Em relação às companhias já atuantes no Brasil, sua clara expansão nos últimos anos é mais um pilar que sustenta a criação de novos empregos no campo, desde oportunidades pré-porteira até pós-porteira.

Apesar do cenário tão promissor nos interiores desse vasto Brasil, vejo muita resistência por parte de profissionais. Muitos deles não estão dispostos a trocar as grandes cidades por municípios do interior do país que ainda estão em fase de desenvolvimento. No interior de Goiás e Mato Grosso, por exemplo, há vagas com altos salários, mas em minhas buscas de executivos tenho retorno pouco positivo para oportunidades em locais assim.

“Tenho certeza que tal crescimento deve continuar ainda por muitos anos, pois o agronegócio é a locomotiva de produção do alimento mundial.”

A maioria dos executivos de alta gerência tem família e filhos, por isso entendo sua relutância para tais mudanças de endereço. Hora é o problema de escola, hora é adaptação da esposa ou mesmo quebrar paradigmas de hábitos das metrópoles. Mas esse é um momento em que as oportunidades precisam ser abraçadas ou o Brasil acabará por perder sua chance de ganhar destaque internacional cada vez maior.

As companhias também estão na busca de executivos não só com sólida formação técnica em profissões tradicionais, como engenharia agronômica, zootecnia e veterinária, mas que tenham ainda uma especialização em alguma área diferenciada, como financeira, gestão de pessoas, supply chain, comercial e marketing.



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