O bom marujo se conhece na tempestade

DINHEIRO RURAL
Jeffrey Abrahams

Maio 2015 – Quando as complicações no ambiente de negócios se acumulam, elas também causam crises no ambiente de trabalho. Por várias razões, o País está atravessando um período desestabilizador de negócios. E, nele, tudo fica mais volátil: as empresas perdem receitas, os custos se desajustam e a lucratividade é colocada em xeque. Há segmentos da economia indo bem, sim senhor, como o agronegócio, a área mais pujante da economia do País, mas mesmo assim o setor vive um momento de instabilidade por conta da macroeconomia.

"Na turbulência, o profissional do agronegócio deve ser um mobilizador de pessoas" JEFFREY ABRAHAMS, sócio da Fesa, consultoria de busca e seleção de altos executivos

“Na turbulência, o profissional do agronegócio deve ser um mobilizador de pessoas”
JEFFREY ABRAHAMS, sócio da Fesa, consultoria de busca e seleção de altos executivos

Consequentemente, os gestores devem se mexer. O clima de instabilidade ameaça, de fato, a perenidade das companhias e o nível de tolerância a frustrações entra em pane. No entanto, as crises vêm e vão, como as tempestades em alto mar. E é nessa hora que se conhece o verdadeiro marujo. Mas que marujo é esse que sobrevive às crises? O que se espera dos marujos de primeira viagem, ou mesmo dos mais experientes navegadores?

Nesta fase, sobrevive aquele ou aquela que se faz útil, aperta um pouco o cinto, agrega valor e é capaz de encontrar os meios para driblar a crise. São aqueles profissionais que têm o faro e a sabedoria para buscar receitas financeiras com criatividade comercial. O bom profissional do agronegócio não entra em pânico, devaneios ou na boiada do pessimismo. Os períodos momento de instabilidade, é preciso ser resiliente, não se intimidar e não desistir: as oportunidades são escassas e quem chega primeiro “bebe água limpa”.

No agronegócio, cada vez mais, as empresas buscam profissionais com um perfil mais perceptivo e analítico, que enxerguem todas as suas frentes e impactos financeiros. Neste momento, a demanda é por um executivo mais estratégico, com olhos no financeiro, e ao mesmo tempo mobilizador e eclético, em termos de negócios e cultura com investidores estrangeiros. Os executivos que as grandes empresas necessitam possuem um perfil empreendedor e foco em gestão de risco, liderança comercial na distribuição dos produtos e de serviços, criatividade e uma enorme capacidade de relacionamento e negociação. Além disso, na turbulência, o profissional do agronegócio deve ser um mobilizador de pessoas.

Esse indivíduo ideal para acertar os rumos de um empreendimento rural precisa ter em seu DNA aquele senso de urgência, sem atropelar processos. Como um marujo que não perde o equilíbrio durante a tempestade, observando ao mesmo tempo os instrumentos de navegação e o que está ocorrendo diante de seus olhos. Para comandar uma fazenda, ou uma empresa rural, energia vital e tônus fazem parte da composição pessoal em cargos de comando. Um bom gestor sabe se livrar das ondas de baixo astral, ou mesmo da depressão das ondas. A gestão do negócio nos dias atuais é um dos principais desafios do setor. A marca desse marujo ou maruja rural deve ser: “o que preciso fazer para me desviar das tormentas, sem perder o rumo?”.

GESTÃO: o bom profissional não entra em pânico nos períodos de instabilidade, ele busca soluções

GESTÃO: o bom profissional não entra em pânico nos períodos de instabilidade, ele busca soluções

Em situações de crise, o primeiro grande sentimento que surge é o medo, que costuma neutralizar a criatividade. É normal ter medo, desde que ele não paralise o pensamento e a capacidade de agir com energia. A serenidade permite o fluxo da energia combativa, consciente e ágil. Enfim, são os momentos de crise que separam o dito bom marujo do marinheiro de primeira viagem, pois na bonança tudo vale e cresce pela própria volúpia do crescimento. Nesse momento, quem se planeja tendo em vista o longo prazo não se intimida e não se aperta. O executivo agro-olímpico, o marujo que navega as ondas do campo, sobressai em meio a tempestade, até chegar a águas calmas. Acreditar no País, em períodos de turbulência como o atual, é seguir em frente, porque o mundo está repleto de críticos de obras feitas e de diagnosticadores profícuos dos acontecimentos falidos. Poucos trazem soluções.



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