A magia e a crise nos negócios do campo

REVISTA MELHOR – GESTÃO DE PESSOAS
por Jeffrey Abrahams*

Novembro 2008 – Quando Dorothy e os seus amigos conseguem chegar à Cidade das Esmeraldas, em O Mágico de Oz, ficam aterrorizados com o poder demonstrado pelo mágico com sua voz de trovão, tamanho amedrontador e ideias mirabolantes. No entanto, quando um pequeno e esperto cachorro puxa a cortina, revela um velho sem forças, que se escondia atrás de um mecanismo para inspirar medo. Essa história se parece com o cenário atual nos principais mercados financeiros do mundo. Antes forte e ameaçador, tornou-se amedrontado. Tudo isso nos leva à moral da história: é durante as crises que bons profissionais se sobressaem. Os que continuarem a ser mágicos não se darão bem, mas os que tiverem agilidade, inteligência, garra e humildade sairão da crise melhor do que quando entraram.

No agronegócio brasileiro – empregador de 37% da população ativa -, por exemplo, não é diferente. Quem trabalha no campo precisa se preparar para grandes desafios. Não adianta ser um grande mágico, mas sim um gestor de ideias, que valorize a sua equipe e esteja preparado para entender os problemas que podem surgir do clima ou do mercado financeiro. Maior produtividade por hectare a um custo menor é fundamental à agricultura de alta precisão.

É imprescindível que esse profissional continue acreditando no país. O Brasil ainda é a bola da vez do setor e os planos não devem sofrer impactos a curto e médio prazo. O mundo, cada vez mais, necessita dos alimentos e da energia – vale citar o etanol produzido nos campos brasileiros – e por isso mesmo investidores mundiais já aportam grandes quantias em nosso solo.

“É durante as crises que bons profissionais se sobressaem. Os que continuarem a ser mágicos não se darão bem”

A prometida melhora da estrutura brasileira, com a abertura de novas estradas e portos, a modernização do maquinário agrícola e a tecnologia empregada no campo também é fator que faz com que o cenário seja positivo para quem apostar no negócio. Mas mesmo num ambiente favorável os profissionais devem se precaver. Suas competências e conhecimentos devem ser explorados ao máximo. Uma visão financeira e ao mesmo tempo agrícola é a melhor característica que se deve esperar desses profissionais.

Liderança acima da média e transparência nas negociações são fundamentais. Outro fator que diferencia o profissional do agronegócio é a sua capacidade de se adequar e respeitar a cultura da população da região onde trabalha e entender as diferenças entre os seus colaboradores. O campo não é local para experiências administrativas. A natureza do negócio exige do profissional o preparo para lidar com crises constantes. Mesmo que não tenha como prever, por exemplo, os problemas climáticos, o profissional deve se cercar de conhecimento e de um time de primeira para minimizar os impactos que porventura surjam. Isso também vale para os problemas econômicos.

Quem apostar no agronegócio vai se dar bem, desde que, no comando da empresa, esteja um profissional capaz de observar bem os sinais da economia e da própria natureza e se preparar, seja para o risco ou acesso rápido ao credito e às novas tecnologias que vão desde o uso de sementes melhoradas, transgênicas, a ferramentas que promovem a alta produtividade. A síndrome do mágico não mais se encaixa nos negócios, muito menos nos do campo.

jeffrey abrahams*Jeffrey Abrahams é headhunter, agrônomo e diretor-presidente da Abrahams Executive Search, empresa especializada em recrutamento de executivos